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Façamos uma breve análise dos maiores problemas da sociedade atual e vejamos se conseguimos encontrar algum traço comum a todos eles.

Os altos impostos: Os altos e crescentes impostos têm prejudicado quase todos e estão diminuindo a produtividade, os incentivos, a poupança e o espírito empreendedor das pessoas. No nível federal, há uma revolta cada vez maior contra o fardo dos tributos sobre a renda e um crescente movimento de rebelião contra os impostos, que conta com suas próprias organizações e publicações e que se recusa a pagar impostos considerados predatórios e inconstitucionais. Em nível estadual e municipal, há uma oposição cada vez mais sistemática aos opressivos impostos sobre imóveis. Dessa forma, o número recorde de 1,2 milhão de pessoas assinou a petição em favor da iniciativa Jarvis-Gann nas eleições de 1978, uma proposta que reduziria drástica e permanentemente os impostos sobre imóveis de dois terços para um por cento e estabeleceria um teto para o valor estimado deles. Ademais, a iniciativa Jarvis-Gann reforça o congelamento requerendo a aprovação de dois terços de todos os eleitores registrados do estado da Califórnia para além do teto de um por cento. E, para garantir que o estado não simplesmente compense este com outro imposto, a iniciativa também requer a aprovação de dois terços da legislatura estadual para aumentar qualquer outro imposto do estado.

Além disso, no outono de 1977, milhares de proprietários do condado de Cook, no Illinois, se recusaram a pagar o imposto sobre imóveis, que havia aumentado dramaticamente devido às avaliações cada vez mais altas.

Não é necessário enfatizar que a tributação, sobre a renda, sobre imóveis ou sobre o que quer que seja é um monopólio do governo. Nenhum outro indivíduo ou organização goza do privilégio de cobrar impostos, de adquirir rendimentos por meio da coerção.

A crise fiscal: Em todo o país, os estados e municípios têm tido dificuldades para pagar os juros e grosso de suas dívidas públicas. A cidade de Nova York foi a primeira a pedir moratória parcial de suas obrigações contratuais. A crise fiscal existe simplesmente em virtude dos altos gastos dos governos, mais altos até que os impostos que eles cobram de nós. Novamente, a quantia gasta pelos governos municipais ou estaduais é problema deles; novamente o governo deve ser culpado.

A guerra do Vietnã e outras intervenções estrangeiras: A guerra do Vietnã foi um completo desastre para a política externa dos Estados Unidos; após inúmeras mortes e enormes devastações de terras, com um gasto imenso de recursos, o governo apoiado pelos Estados Unidos finalmente entrou em colapso em 1975. O desastre na guerra do Vietnã pôs em questão a política intervencionista americana e foi parcialmente responsável pelo freio colocado pelo Congresso na intervenção americana em Angola. A política externa, evidentemente, também é um monopólio do governo federal. A guerra foi travada por nossas forças armadas que, de novo, são um monopólio compulsório do mesmo governo federal. Assim, o governo é inteiramente responsável por todos os problemas relativos à guerra e à política externa, como um todo e em cada um de seus aspectos particulares.

A criminalidade nas ruas: Considere o seguinte: os crimes em questão são cometidos, por definição, nas ruas. As ruas são propriedade quase que universalmente do governo, que, assim, detém o virtual monopólio da propriedade delas. A polícia, que supostamente deve nos proteger dos crimes, é um monopólio compulsório do governo. E as cortes, que devem condenar e punir os criminosos, são também um monopólio coercitivo do governo. Portanto, o governo tem o comando de todos os aspectos do problema da criminalidade. E as cortes, que são existentes para perseguir e punir criminosos, são igualmente monopólios coercitivos do governo. Então, o governo está encarregado de cuidar cada um dos aspectos relativos aos crimes cometidos nas suas ruas. O problema aqui, da mesma forma que o fracasso do Vietnã, deve ser debitado exclusivamente na conta do governo.

Engarrafamentos: Mais uma vez, essa situação só ocorre nas ruas e estradas do governo.

O complexo industrial-militar: Este complexo é uma criação integral do governo federal. É o governo que decide gastar de incontáveis bilhões de dólares em armamentos, que firma contratos, que subsidia a ineficiência através de garantias da cobertura de custos, que constrói fábricas e as arrenda ou doa diretamente a contratantes. Claro, as empresas envolvidas fazem lobbies para receberem esses privilégios, mas é apenas através do governo que o mecanismo que permite que haja esses privilégios — e a conseqüente má alocação de recursos — pode existir.

O transporte público: A crise do transporte público não envolve somente os engarrafamentos nas ruas, mas também as ferrovias degradadas, as altas tarifas aéreas, o congestionamento dos aeroportos nos horários de pico e os metrôs (como o da cidade de Nova York) deficitários e em visível marcha rumo ao colapso. Some-se ainda o fato de que as ferrovias foram construídas em excesso com grandes subsídios (federais, estaduais e municipais) durante o século XIX, e têm sido até hoje a indústria sujeita às regulamentações mais pesadas e pelo maior período de tempo da história americana. As linhas aéreas são cartelizadas pelo Comissão Civil de Aeronáutica e subsidiadas através de outras regulamentações, por contratos de transporte de correspondências e por aeroportos virtualmente de graça. Os aeroportos para linhas comerciais são, em sua totalidade, propriedades de algum braço do governo, e do governo local em grande parte. Os metrôs da cidade de Nova Iorque têm sido de propriedade do governo por décadas.

A poluição dos rios: Os rios, efetivamente, não têm donos, isto é, são de domínio público, controlados pelo governo. Além disso, os maiores culpados pela poluição são as próprias companhias de esgoto municipais. Novamente: o governo é ao mesmo tempo o maior poluidor e o "dono" descuidado do recurso pelo qual deveria zelar.

A escassez de água: A falta de água é um problema crônico em algumas áreas do país e apenas intermitente em outras, a exemplo de Nova York. E é o governo, através de seu controle do domínio público, que detém grande parte dos rios de onde vem a água que nos abastece; o governo, como o virtual único ofertante de água, reserva para si o poder exclusivo de poder criar aquedutos.

A poluição do ar: Novamente, é o governo, como dono do domínio público, que controla o ar. Além disso, têm sido os tribunais, pertencentes exclusivamente ao governo, que em atos políticos deliberados têm fracassado geração após geração na tarefa de proteger os nossos direitos de propriedade sobre nossos corpos e bens sobre os quais a poluição gerada pelas indústrias recai. Deve-se levar em conta que boa parte da poluição advém diretamente de indústrias de propriedade do governo.

As faltas de energia e os apagões: Em todo o país os governos estaduais e municipais criaram monopólios compulsórios no fornecimento de gás e luz elétrica e os concederam a companhias privadas, que são, então, reguladas pelo governo e têm seus preços tabelados por agências estatais que garantem lucros fixos e permanentes. Novamente, o governo tem sido a fonte destes monopólios e destas regulamentações.

Serviços de telefonia: Os cada vez piores serviços de telefonia são ocasionados, de novo, pelo privilégio monopolístico concedido pelo governo, que estabelece os preços para garantir lucros aos favorecidos. Como no caso do gás e da eletricidade, ninguém mais tem a permissão para competir com o monopólio das companhias de telefone.

Serviços postais: Sofrendo com pesados déficits desde sua criação, os correios, ao contrário dos bens e serviços prestados pela indústria privada no mercado livre, têm continuamente diminuído a qualidade de seus serviços e aumentado seus preços. A maior parte do público, usuária dos serviços monopolísticos de correspondência convencionais, tem sido forçada a subsidiar as empresas, que utilizam os serviços de entrega de anúncios e encomendas. Os correios são, desde o final do século XIX, um monopólio compulsório do governo. Quando quer que firmas privadas tenham competido, mesmo que ilegalmente, na entrega de correspondências, elas invariavelmente ofereceram melhores serviços a preços mais baixos.

Televisão: A televisão caracteriza-se pela inocuidade de seus programas e pela distorção de suas notícias. Os canais de rádio e TV foram nacionalizados há meio século pelo governo federal, que os concede a grupos favorecidos e que pode suspender esses privilégios quando quer que os canais passem a incomodar a Comissão Federal de Telecomunicações. É possível que qualquer liberdade de expressão e imprensa exista sob essas condições?

Assistencialismo: Os programas assistenciais evidentemente são seara exclusiva dos governos, na maior parte estaduais e municipais.

Habitação urbana: Tal como a administração do tráfego, a habitação é um dos nossos mais conspícuos fracassos urbanos. E, no entanto, há poucos setores que já tenham sido tão conectados ao governo como o setor da habitação. O planejamento urbano tem controlado e regulado as cidades. As leis de zoneamento têm limitado a habitação e o uso do solo com inúmeras restrições. Os impostos sobre propriedades têm impossibilitado o desenvolvimento urbano e forçado os moradores a abandonarem suas casas. Os códigos de construção civil têm restringido a construção de residências e as tornado mais dispendiosa. Os projetos de revitalização urbana têm fornecido altos subsídios ao setor imobiliário, forçado a demolição de apartamentos e estabelecimentos comerciais, diminuído a oferta de imóveis e intensificado a discriminação racial. Grandes empréstimos governamentais ocasionaram uma super concentração de construções nos subúrbios. Controles de aluguéis criaram a escassez de apartamentos e a redução da oferta de casas residenciais.

Greves e restrições sindicais: Os sindicatos se tornaram um transtorno por conta de seu poder de frear a economia — que somente existe graças aos vários privilégios concedidos pelo governo. Em especial, há as imunidades sindicais concedidas pelo Wagner Act de 1935, ainda em vigor, que obrigam os empregadores a negociar com os sindicatos que obtiverem a maioria dos votos de uma "unidade de negociação" arbitrariamente definida pelo próprio governo.

Educação: Outrora tão reverenciada e sacrossanta pela a opinião pública americana quanto a maternidade ou a bandeira, a educação pública sofreu grandes ataques recentemente, de todos os lados do espectro político. Mesmo seus defensores não acreditam que as escolas públicas de fato ensinam qualquer coisa. E recentemente nós vimos casos extremos nos quais as ações das escolas públicas motivaram reações violentas em lugares tão diferentes quanto South Boston e o Condado Kanawha, em West Virginia. As escolas públicas, evidentemente, são operadas pelos governos estaduais e municipais, com assistência considerável da esfera federal. As escolas públicas são mantidas por leis de freqüência compulsória que forçam todas as crianças a irem à escola até o ensino médio. Mesmo a educação superior tem desenvolvido um relacionamento próximo com o governo em décadas recentes: muitas universidades são de propriedade estatal e as outras são beneficiárias sistemáticas de concessões, subsídios e contratos.

Inflação e estagflação: Os Estados Unidos, bem como o resto do mundo, sofrem há vários anos com uma crônica e cada vez mais acelerada crise inflacionária — uma inflação acompanhada por altas taxas de desemprego e que persiste através de recessões severas e moderadas ("estagflação"). Uma explicação para estes eventos desagradáveis é apresentada mais a frente. Aqui, diga-se somente que a raiz desses problemas está na expansão contínua da oferta monetária, um monopólio compulsório do governo federal (qualquer individuo que tentar competir com o governo emissão de moeda será imediatamente preso por falsificação). Uma parte vital da oferta de moeda do país é emitida como moeda-cheque pelo sistema bancário, que por sua vez, está sob total controle pelo Federal Reserve System.

Watergate: Por último, mas não menos importante, está toda a traumática síndrome sofrida pelos americanos conhecida como "Watergate". O caso Watergate significou uma total dessacralização da presidência e de instituições federais outrora sacrossantas, como a CIA e o FBI. As invasões de propriedades, os métodos totalitários, a enganação do público, a corrupção, as múltiplas e sistêmicas comissões de apuração dos crimes do virtualmente todo-poderoso Presidente levaram a um antes impensável impeachment e ao descrédito das instituições do Estado no país. O establishment tem freqüentemente se queixa desta nova e universal falta de confiança, mas é muito difícil a inocência do público dos tempos pré-Watergate. A historiadora esquerdista Cecília Kenyon certa vez criticou os anti-federalistas, os defensores dos Artigos da Confederação e os oponentes da Constituição por serem "homens de pouca fé" nas instituições do governo. É de se suspeitar que ela não fosse tão ingênua a ponto de escrever isso na era pós-Watergate.

Não é necessário mencionar que o Watergate é um fenômeno pura e exclusivamente governamental. O Presidente é o chefe do Executivo do governo federal, os "encanadores" foram sua ferramenta, e o FBI e a CIA são agências governamentais da mesma maneira. Por isso, compreensivelmente a fé e a confiança no governo foram destruídas pelo escândalo.

Se olharmos a nossa volta, se analisarmos os problemas cruciais de nossa sociedade, as áreas de crise e fracasso, nós vemos um traço comum que os une: a influência do governo. Em todos esses casos, o governo operou por completo ou influenciou pesadamente a atividade. O economista John Kenneth Galbraith, em seu best-seller A Sociedade Afluente, reconhece que o setor governamental originou nosso fracasso social, mas curiosamente deriva a conclusão de que, portanto, ainda mais recursos devem ser desviados do setor privado para o público. Dessa forma ele ignorava o fato de que o papel de todas as esferas de governo nos Estados Unidos se expandiu enormemente, tanto em termos absolutos quanto relativos, neste século e em especial nas décadas recentes. Infelizmente, Galbraith jamais levantou a seguinte questão: Há algo inerente na operação do governo, algo que cria as próprias falhas que nós vemos à nossa volta? Nós investigaremos alguns dos maiores problemas do governo e da liberdade neste século, veremos de onde se originam essas falhas e proporemos soluções com base no novo libertarismo.

Façamos uma breve análise dos maiores problemas da sociedade atual e vejamos se conseguimos encontrar algum traço comum a todos eles.

Os altos impostos: Os altos e crescentes impostos têm prejudicado quase todos e estão diminuindo a produtividade, os incentivos, a poupança e o espírito empreendedor das pessoas. No nível federal, há uma revolta cada vez maior contra o fardo dos tributos sobre a renda e um crescente movimento de rebelião contra os impostos, que conta com suas próprias organizações e publicações e que se recusa a pagar impostos considerados predatórios e inconstitucionais. Em nível estadual e municipal, há uma oposição cada vez mais sistemática aos opressivos impostos sobre imóveis. Dessa forma, o número recorde de 1,2 milhão de pessoas assinou a petição em favor da iniciativa Jarvis-Gann nas eleições de 1978, uma proposta que reduziria drástica e permanentemente os impostos sobre imóveis de dois terços para um por cento e estabeleceria um teto para o valor estimado deles. Ademais, a iniciativa Jarvis-Gann reforça o congelamento requerendo a aprovação de dois terços de todos os eleitores registrados do estado da Califórnia para além do teto de um por cento. E, para garantir que o estado não simplesmente compense este com outro imposto, a iniciativa também requer a aprovação de dois terços da legislatura estadual para aumentar qualquer outro imposto do estado.

Além disso, no outono de 1977, milhares de proprietários do condado de Cook, no Illinois, se recusaram a pagar o imposto sobre imóveis, que havia aumentado dramaticamente devido às avaliações cada vez mais altas.

Não é necessário enfatizar que a tributação, sobre a renda, sobre imóveis ou sobre o que quer que seja, é um monopólio exclusivo do governo. Nenhum outro indivíduo ou organização goza do privilégio de cobrar impostos, de adquirir rendimentos por meio da coerção.

A crise fiscal: Em todo o país, os estados e municípios têm tido dificuldades para pagar os juros e grosso de suas dívidas públicas. A cidade de Nova York foi a primeira a pedir moratória parcial de suas obrigações contratuais. A crise fiscal existe simplesmente em virtude dos altos gastos dos governos, mais altos até que os impostos que eles cobram de nós. Novamente, a quantia gasta pelos governos municipais ou estaduais é problema deles; novamente o governo deve ser culpado.

A guerra do Vietnã e outras intervenções estrangeiras: A guerra do Vietnã foi um completo desastre para a política externa dos Estados Unidos; após inúmeras mortes e enormes devastações de terras, com um gasto imenso de recursos, o governo apoiado pelos Estados Unidos finalmente entrou em colapso em 1975. O desastre na guerra do Vietnã pôs em questão a política intervencionista americana e foi parcialmente responsável pelo freio colocado pelo Congresso na intervenção americana em Angola. A política externa, evidentemente, também é um monopólio exclusivo do governo federal. A guerra foi travada por nossas forças armadas que, de novo, são um monopólio compulsório do mesmo governo federal. Assim, o governo é inteiramente responsável por todos os problemas relativos à guerra e à política externa, como um todo e em cada um de seus aspectos particulares.

A criminalidade nas ruas: Considere o seguinte: os crimes em questão são cometidos, por definição, nas ruas. As ruas são propriedade quase que universalmente do governo, que, assim, detém o virtual monopólio da propriedade delas. A polícia, que supostamente deve nos proteger dos crimes, é um monopólio compulsório do governo. E as cortes, que devem condenar e punir os criminosos, são também um monopólio coercitivo do governo. Portanto, o governo tem o comando de todos os aspectos do problema da criminalidade. E as cortes, que são existentes para perseguir e punir criminosos, são igualmente monopólios coercitivos do governo. Então, o governo está encarregado de cuidar cada um dos aspectos relativos aos crimes cometidos nas suas ruas. O problema aqui, da mesma forma que o fracasso do Vietnã, deve ser debitado exclusivamente na conta do governo.

Engarrafamentos: Mais uma vez, essa situação só ocorre nas ruas e estradas do governo.

O complexo industrial-militar: Este complexo é uma criação integral do governo federal. É o governo que decide gastar de incontáveis bilhões de dólares em armamentos, que firma contratos, que subsidia a ineficiência através de garantias da cobertura de custos, que constrói fábricas e as arrenda ou doa diretamente a contratantes. Claro, as empresas envolvidas fazem lobbies para receberem esses privilégios, mas é apenas através do governo que o mecanismo que permite que hajam esses privilégios — e a conseqüente má alocação de recursos — pode existir.

O transporte público: A crise do transporte público não envolve somente os engarrafamentos nas ruas, mas também as ferrovias degradadas, as altas tarifas aéreas, o congestionamento dos aeroportos nos horários de pico e os metrôs (como o da cidade de Nova York) deficitários e em visível marcha rumo ao colapso. Some-se ainda o fato de que as ferrovias foram construídas em excesso com grandes subsídios (federais, estaduais e municipais) durante o século XIX, e têm sido até hoje a indústria sujeita às regulações mais pesadas e pelo maior período de tempo da história americana. As linhas aéreas são cartelizadas pelo Civil Aeronautics Board e subsidiadas através de outras regulações, por contratos de de transporte de correspondências e por aeroportos virtualmente de graça. Os aeroportos para linhas comerciais são, em sua totalidade, propriedades de algum braço do governo, e do governo local em grande parte. Os metrôs da cidade de Nova Iorque têm sido de propriedade do governo por décadas.

A poluição dos rios: Os rios, efetivamente, não têm donos, isto é, são de domínio público, controlados pelo governo. Além disso, os maiores culpados pela poluição são as próprias companhias de esgoto municipais. Novamente: o governo é ao mesmo tempo o maior poluidor e o "dono" descuidado do recurso pelo qual deveria zelar.

A escassez de água: A falta de água é um problema crônico em algumas áreas do país e apenas intermitente em outras, a exemplo de Nova York. E é o governo, através de seu controle do domínio público, que detém grande parte dos rios de onde vem a água que nos abastece; o governo, como o virtual único ofertante de água, reserva para si o poder exclusivo de poder criar aquedutos.

A poluição do ar: Novamente, é o governo, como dono do domínio público, que controla o ar. Além disso, têm sido os tribunais, pertencentes exclusivamente ao governo, que em atos políticos deliberados têm fracassado geração após geração na tarefa de proteger os nossos direitos de propriedade sobre nossos corpos e bens sobre os quais a poluição gerada pelas indústrias recai. Deve-se levar em conta que boa parte da poluição advém diretamente de indústrias de propriedade do governo.

As faltas de energia e os apagões: Em todo o país os governos estaduais e municipais criaram monopólios compulsórios no fornecimento de gás e luz elétrica e os concederam a companhias privadas, que são, então, reguladas pelo governo e têm seus preços tabelados por agências estatais que garantem lucros fixos e permanentes. Novamente, o governo tem sido a fonte destes monopólios e regulações.

Serviços de telefonia: Os cada vez piores serviços de telefonia são ocasionados, de novo, pelo privilégio monopolístico concedido pelo governo, que estabelece os preços para garantir lucros aos favorecidos. Como no caso do gás e da eletricidade, ninguém mais tem a permissão para competir com o monopólio das companhias de telefone.

Serviços postais: Sofrendo com pesados déficits desde sua craição, os correios, ao contrário dos bens e serviços prestados pela indústria privada no mercado livre, têm continuamente diminuído a qualidade de seus serviços e aumentado seus preços. A maior parte do público, usuária dos serviços monopolísticos de correspondência convencionais, tem sido forçada a subsidiar as empresas, que utilizam os serviços de entrega de anúncios e encomendas. Os correios são, desde o final do século XIX, um monopólio compulsório do governo. Quando quer que firmas privadas tenham competido, mesmo que ilegalmente, na entrega de correspondências, elas invariavelmente ofereceram melhores serviços a preços mais baixos.

Televisão: A televisão caracteriza-se por pela inocuidade de seus programas e a distorção de suas notícias. Os canais de rádio e TV são nacionalizados foram meio século pelo governo federal, que os concede a grupos favorecidos, e que pode suspende esses privilégios quando os canais passam a incomodar a Comissão Federal de Telecomunicações. É possível que qualquer liberdade de expressão e imprensa existe sob essas condições?

Assistencialismo: Os programas assistenciais evidentemente são seara exclusiva dos governos, na maior parte estaduais e municipais.

Habitação urbana: Tal como a administração do tráfego, a habitação é uma das nossos mais conspícuos fracassos urbanos. E, no entanto, há poucos setores que já tenham sido tão conectados ao governo como o setor da habitação. O planejamento urbano tem controlado e regulado as cidades. As leis de zoneamento têm limitado a habitação e o uso do solo com inúmeras restrições. Os impostos sobre propriedades têm impossibilitado o desenvolvimento urbano e forçado os moradores a abandonarem suas casas. Os códigos de construção civil têm restringido a construção de casas e a tornado mais cara. os projetos de revitalização urbana têm fornecido altos subsídios ao setor imobiliário, forçado a demolição de apartamentos e estabelecimentos comerciais, diminuído a oferta de imóveis e intensificado a discriminação racial. Grandes empréstimos governamentais ocasionaram uma super concentração de construções nos subúrbios. Controles de aluguéis criaram a escassez de apartamentos e a redução da oferta de casas residenciais.

Greves e restrições sindicais: Os sindicatos se tornaram um transtorno por conta de seu poder de frear a economia — que somente existe graças aos vários privilégios concedidos pelo governo. Em especial, há as imunidades sindicais concedidas pelo Wagner Act de 1935, ainda em vigor, que obrigam os empregadores a negociar com os sinidcatos que obtiverem a maioria dos votos de uma "unidade de negociação" arbitrariamente definida pelo próprio governo.

Educação: Outrora tão reverenciada e sacrossanta pela a opinião pública americana quanto a maternidade ou a bandeira, a educação pública sofreu grandes ataques recentemente, de todos os lados do espectro político. Mesmo seus defensores não acreditam que as escolas públicas de fato ensinam qualquer coisa. E recentemente nós vimos casos extremos nos quais as ações das escolas públicas motivaram reações violentas em lugares tão diferentes quanto South Boston e o Condado Kanawha, em West Virginia. As escolas públicas, evidentemente, são operadas pelos governos estaduais e municipais, com assistência considerável da esfera federal. As escolas públicas são mantidas por leis de freqüência compulsória que forçam todas as crianças a irem à escola até o ensino médio. Mesmo a educação superior tem desenvolvido um relacionamento próximo com o governo em décadas recentes: muitas universidades são de propriedade estatal e as outras são beneficiárias sistemáticas de concessões, subsídios e contratos.

Inflação e estagflação: Os Estados Unidos, bem como o resto do mundo, sofrem há vários anos com uma crônica e cada vez mais acelerada crise de inflação — uma inflação acompanhada por altas taxas de desemprego e que persiste através de recessões severas e moderadas ("estagflação"). Uma explicação para estes eventos desagradáveis é apresentada mais a frente. Aqui, diga-se somente que a raiz desses problemas está na expansão contínua da oferta monetária, um monopólio compulsório do governo federal (qualquer individuo que tentar competir com o governo emissão de moeda será imediatamente preso por falsificação). Uma parte vital da oferta de moeda do país é emitida como moeda-cheque pelo sistema bancário, que por sua vez, está sob total controle pelo Federal Reserve System.

Watergate: Por último, mas não menos importante, está toda a traumática síndrome sofrida pelos americanos conhecida como "Watergate". O caso Watergate significou uma total dessacralização da presidência e de instituições federais outrora sacrossantas, como a CIA e o FBI. As invasões de propriedades, os métodos totalitários, a enganação do público, a corrupção, as múltiplas e sistêmicas comissões de apuração dos crimes do virtualmente todo-poderoso Presidente levaram a um antes impensável impeachment e ao descrédito das instituições do Estado no país. O establishment tem freqüentemente se queixa desta nova e universal falta de confiança, mas é muito difícil a inocência do público dos tempos pré-Watergate. A historiadora esquerdista Cecília Kenyon certa vez criticou os anti-federalistas, os defensores dos Artigos da Confederação e oponentes da Constituição por serem "homens de pouca fé" nas instituições do governo. É de se suspeitar que ela não seria tão ingênua a ponto de escrever isso na era pós-Watergate.

Não é necessário mencionar que o Watergate é um fenômeno pura e exclusivamente governamental. O Presidente é o chefe do Executivo do governo federal, os "encanadores" foram sua ferramenta, e o FBI e a CIA são agências governamentais da mesma maneira. Por isso, compreensivelmente a fé e a confiança no governo foram destruídas pelo escândalo.

Se olharmos a nossa volta, se analisarmos os problemas cruciais de nossa sociedade, as áreas de crise e fracasso, nós vemos um traço comum que os une: a influência do governo. Em todos esses casos, o governo operou por completo ou influenciou pesadamente a atividade. O economista John Kenneth Galbraith, em seu best-seller A Sociedade Afluente, reconhece que o setor governamental originou nosso fracasso social, mas curiosamente deriva a conclusão de que, portanto, ainda mais recursos devem ser desviado do setor privado para o público. Dessa forma ele ignorava o fato de que o papel de todas as esferas de governo nos Estados Unidos se expandiu enormemente, tanto em termos absolutos quanto relativos, neste século e em especial nas décadas recentes. Infelizmente, Galbraith jamais levantou a seguinte questão: Há algo inerente na operação do governo, algo que cria as próprias falhas que nós vemos à nossa volta? Nós investigaremos alguns dos maiores problemas do governo e da liberdade neste século, veremos de onde se originam essas falhas e proporemos soluções com base no novo libertarismo.
Murray N. Rothbard (1926-1996) foi um dos maiores economistas da Escola Austríaca e o fundador do moderno anarco-capitalismo. Em seus mais de 25 livros, defendeu uma síntese entre a economia da Escola Austríaca, o direito natural, o anarquismo individualista americano e o isolacionismo da Velha Direita dos Estados Unidos.
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